A DÁLIA NEGRA

 

 

Data de estreia: 05/10/2006
Título original: The Black Dahlia
Realização: Brian De Palma
Actores: Scarlett Johansson, Josh Hartnett, Hilary Swank
Argumento: Josh Friedman, James Ellroy
Produção: Rudy Cohen, Moshe Diamant, Art Linson
Género: Thriller
Duração: min.
País: Alemanha / EUA
Distribuição: Lusomundo

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O conceituado realizador Brian De Palma, conhecido por clássicos como The Untouchables, Scarface e Carlito’s Way, bem como por thrillers de suspense como Carrie, Dressed to Kill e Blow Out, dirige esta adaptação do best-seller de James Ellroy (L.A. Confidential, American Tabloid).

A Dália Negra tece um conto ficcional de obsessão, amor, corrupção, cobiça e depravação à volta da história verídica do brutal assassínio de uma starlet de Hollywood que chocou e fascinou o país em 1947 e se mantém um mistério até aos nossos dias.

Dois polícias, antigos pugilistas, Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e Bucky Bleichert (Josh Hartnett), são chamados para investigar o homicídio da ambiciosa aspirante a actriz Betty Ann Short (Mia Kirshner) também conhecida como “Dália Negra” – uma morte tão macabra que as imagens não foram reveladas publicamente.

À medida que a crescente preocupação de Blanchard com o sensacional assassinato ameaça o seu relacionamento com Kay (Scarlett Johansson), o seu parceiro Bleichert vê-se atraído pela enigmática Madeleine Linscott (Hilary Swank), a filha de um dos mais influentes famílias da cidade – que tem uma ligação duvidosa à vítima do homicídio.

Depois de “Femme Fatale” em 2002, só agora em 2006 é que temos o prazer de rever Brian de Palma com este fabuloso “Dália Negra”. Um filme baseado no livro de James Ellroy e no crime da Dália Negra, porque é isto que este filme é. Enganasse quem pensa que vai ver um filme só sobre a investigação do crime de Elizabeth Short, conhecida como a Dália Negra. Este filme é muito mais que isso, tem no meio da investigação um trio amoroso, constituído pelos fantásticos Josh Hartnett, Scarlett Johansson e Hilary Swank. Uma história de corrupção, com um novo e rejuvenescido Aaron Eckhart, como nunca o viram antes (resta ainda esperar para vê-lo em “Obrigado por Fumar”) e de novo Josh Hartnett, que consegue transportar a sua personagem ao longo de todas estas situações, de uma forma muito credível, onde se sente a evolução da personagem.
Todo o filme tem uma linguagem, quase de predador, pois parece que o crime da Dália Negra, é a história que menos interessa. É mostrada com tanto desinteresse e frieza como o olhar de um assassino, que olha para a vítima como um caminho para uma verdade, neste caso tudo o resto que se passa para além do crime de Elizabeth Short. Os amores, as intrigas e as suas mentiras. Mas no fim o predador terá de caçar a sua vítima, e também aqui ela será caçada. Com um final surpreendente, como o ataque de um predador.
Com um ambiente muito ligeiro, onde tudo nos é mostrado, até onde é necessário, com uma fotografia lúcida a acompanhar os fabulosos cenários e guarda-roupa. Nada de exagerado, dai conferir um ar de actualidade aos anos 40 do pós 2ª Guerra Mundial.
No entanto devo dizer que se não estiver atento, pode perder a história, por entre os seus pensamentos. O filme passa-se nos anos 40, mas a acção passa à velocidade de hoje, de forma a que se distrair, pode vir a sentir um pouco de desorientação. Mas rapidamente se irá encontrar.
Finalmente temos Brian de Palma de novo, e vale bem a pena ir ver este “Dália Negra”, sem duvida um dos melhores filmes a poder ser visto nas salas portuguesas nos últimos meses.
Uf... uma lufada de ar com qualidade.

Pedro dos Santos