A revolta dos espíritos já começou.
1871: Uma misteriosa e sinistra névoa surge após quatro homens cometerem um crime horrendo num veleiro ao largo da ilha de António Bay.
Todos os seus tripulantes e passageiros perdem a vida, os seus nomes são esquecidos, as suas histórias ficam por contar enquanto um impenetrável nevoeiro oculta o segredo dos assassinos por várias gerações.
Actualidade: Os espíritos do antigo veleiro estão determinados a contar e a revelar o que realmente aconteceu naquela noite, e regressam envoltos num denso e arrepiante nevoeiro, aterrorizando todos os residentes locais.
Um horrível mistério de vingança, sem piedade, que os habitantes da ilha terão de deslindar antes que seja tarde de mais...

    
Um remake do clássico de 1980 de John Carpenter, “O Nevoeiro”, agora produzido pelo mestre que nos deu o primeiro susto em António Bay. Realizado por Rupert Wainwright chega-nos um susto ainda melhor, não querendo magoar os fãs de Carpenter, este filme é dos poucos remakes que estão melhores que as obras originais. Mantendo a história do filme de 1980, mas com uma linguagem cinematográfica bem mais moderna e assustadora. A única coisa que se mantêm é uma má actriz no papel de Elizabeth Williams (Maggie Grace). No entanto faz-nos recordar os tempos em que se via a Jamie Lee Curtis aos berros a fugir de algo que se escondia no nevoeiro. Embora seja um filme que retrata uma maldição, este consegue transportar-nos para uma possível realidade, aonde o nevoeiro não tão opaco parece nevoeiro e onde nós sabemos porque chega este fenómeno tão estranho a António Bay.
Neste aspecto, este remake suplanta o anterior, pois explica bem melhor o que se passou no passado, sem ser contado por uma personagem, mas sim mostrado a todos quanto vêm o filme.
Com uma realização interessante, mas por vezes previsível, talvez mais para aqueles que já conhecem a história, pois nesse aspecto este filme não varia muito do filme anterior. O que muda e muito, são os efeitos especiais dos espíritos e mais importante, os efeitos sonoros deste filme, que nos transportam pelo filme com o medo a bater bem há porta.
Neste filme contamos ainda com interpretações interessantes de Tom Welling (no papel de Nick Castle) (Smallville) e de Rade Sherbedgia (Snach). No entanto o papel que conta com a actriz mais cotada é sem dúvida o de Stevie Wayne a sensual locutora de rádio, que aquece os corações gelados de António Bay, interpretado por Selma Blair (Hell Boy).
Um filme que se revela muito bom no seu todo, sendo mesmo o único defeito algumas actuações, que rapidamente são esquecidas pelo movimento e a falta de momentos mortos neste filme. A banda sonora e a maneira como nos é contada a história, desta ilha amaldiçoada, por um crime feito no passado e que nunca foi esquecido, é sem dúvida muito interessante.
Este filme tem um tom muito cinzento, o que nos insere muito bem no ambiente da história, mas mesmo assim deixa-nos ver a cor, o que no anterior muitas vezes seria difícil ver senão a cor do nevoeiro diabólico.
Se quer apanhar uns bons sustos e ter uns arrepios de frio, visite António Bay, vai ver que não se vai arrepender. Se não gostou do original ou nem o viu, aproveite e descubra o misterioso crime que leva os espíritos à vingança.
Pedro de Pena


|