O REI

 

 

Data de estreia: 22/06/2006
Título original: The King
Realização: James Marsh
Actores: Gael Garcia Bernal, William Hurt, Laura Harring, Pell James
Argumento: Milo Addica, James Marsh
Produção: Milo Addica, James Wilson
Género: Drama
Duração: 105 min.
País: EUA / Reino Unido

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Elvis Valderez (Gael Garcia Bernal) é um sonhador de 21 anos que acabou de ser honradamente exonerado da Marinha Norte Americana. Com a sua mochila e espingarda, viaja de volta para a sua cidade natal de Corpus Christi no Texas, onde tenciona procurar o pai – um homem que apenas ouviu falar pela  sua mãe mexicana,  falecida entretanto.

Elvis rapidamente descobre que o pai, David Sandow (William Hurt), é agora  pastor de uma igreja Baptista, com a sua própria família – uma bela mulher, Twyla (Laura Harring), e duas crianças perfeitas, Malerie (Pell James) e Paul (Paul Dano). Quando procura o pai na igreja, Elvis involuntariamente começa a falar com Malerie que tem 16 anos e nasce uma imediata e implícita atracção entre eles.

Elvis espera pelo pai depois da missa e segue-o, e à sua família, para o seu bairro nos subúrbios, onde aborda Davis em frente à sua casa estilo Norman Rockwell. O encontro é breve. David não quer ter nada a ver com Elvis, que é uma lembrança desconfortável do seu próprio passado instável e um segredo bem guardado dos seus filhos e paroquianos. Rejeitado, Elvis resolve deixar esta família feliz em paz.

No entanto, Elvis não consegue tirar da cabeça a imagem de Malerie, a sua meia-irmã, e não consegue deixar de ser seu amigo. A relação rapidamente desenvolve para algo romântico e os tabus naturais são rapidamente descartados. Durante a sua corte a Malerie, Elvis começa lentamente a infiltrar-se na família, preparando assim o “palco” para a libertação de violência e de uma tragédia de proporções bíblicas.

Aqui está um filme muito perturbador. A história de um rapaz acabado de sair marinha, com um futuro pela frente e no entanto o seu único desejo era ser aceite pelo seu pai, visto ele ser um filho bastardo, que seu pai nem conhecia. No entanto isso não acontece e ele é rejeitado pelo seu pai, brilhantemente interpretado por William Hurt. O que não fica patente na sua expressão é o que ele pensa fazer. Um filme com a participação do argumentista de “Monster Ball” (Milo Addica), o que se nota de certa forma pela lenta da narrativa, mas que nos agarra, tantas que são as emoções envolventes. A personagem Elvis (Gael Garcia Bernal) é quase um anti herói, que nos deixa de peito aberto pela recusa do pai, mas que depois nos vai desiludindo ao longo do desenrolar do filme, chegando mesmo a deixar-nos chocados com as suas atitudes, sendo a primeira atitude a chocar-nos ele assumir uma relação com a sua meia-irmã mesmo sabendo que ela é sua irmã.

Apesar de ter um elenco fabuloso só as interpretações de William Hurt e Gael Garcia Bernal, são dignas de registo. Não tendo uma realização muito complicada, é sem dúvida de mestria em especial no que toca em agarrar o espectador, mesmo quando não existe diálogo.

Uma história ao género de tragédia, mas muito interessante, repleta de inteligência, num Texas muito desconhecido mas bonito.

Um filme muito forte, que pode arrepiar os mais sensíveis.

A ver para quem gosta do género e dos actores envolvidos.

Pedro de Pena