FLORES PARTIDAS

 

 

Data de estreia: 08/12/2005
Título original: Broken Flowers
Realização: Jim Jarmusch
Actores: Bill Murray,  Jessica Lange, Sharon Stone, Tilda Swinton e Julie Delpy.
Argumento: Jim Jarmusch
Produção: Jim Jarmusch
Género: Drama / Comédia
Duração: 106 min.
País: USA / France

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Don (Bill Murray), um celibatário inveterado, acaba de ser abandonado pela sua mais recente namorada, Sherry (Julie Delpy). Don, que fez fortuna com os computadores mas agora não se interessa por nada, resigna-se de novo à sua condição de solitário, entregue aos seus hábitos simples.

No entanto, é obrigado a reflectir sobre o seu próprio passado quando recebe pelo correio uma misteriosa carta cor-de-rosa. Quem a remete é uma antiga namorada, anónima, que o informa que tem um filho de 19 anos, que poderá andar à procura do pai.

Don é levado a investigar este “mistério” pelo seu amigo mais chegado e vizinho, Winston (Jeffrey Wright), detective amador e homem de família. Hesitante em sair de casa, Don embarca mesmo assim numa viagem através do país, em busca de pistas junto de quatro antigas apaixonadas (Frances Conroy, Jessica Lange, Sharon Stone e Tilda Swinton).

Visitas não anunciadas a cada uma destas mulheres únicas reservam novas surpresas para Don, à medida que ele, casualmente, confronta o seu passado e, consequentemente, o seu presente.

Grande Prémio, Festival de Cannes 2005

 

O devoto solteirão Don Johnston (Bill Murray) é abandonado pela sua última namorada (Julie Delpy), o que o deixa um pouco perdido, mas mais perdido fica ao receber uma carta cor-de-rosa, que o informa que ele é pai e que o filho pode estar a procurar por ele. Esta situação é muito nova para Don, o que o leva a pensar nas suas relações, em vez de o levar a procurar uma nova relação. Completamente perdido, mostra a carta misteriosa ao seu amigo Winston (Jeffrey Wright). E é ai que toda a diversão começa.
Totalmente perdido, conta com a ajuda do seu amigo, para tentar descobrir o seu filho, mas sem grandes resultados. No fundo toda a aventura de Don, só tem um resultado, levar ele a procurar um sentido na sua vida, que estava perdida e sem rumo.
Este filme super divertido, conta com mais uma interpretação genial por parte de Bill Murray, num papel obviamente escrito a pensar nele. Mais um. Disto pode gabar-se, pois actualmente é o único actor, para o qual se escrevem personagens. No entanto é um papel onde o humor é simples e eficaz, tendo momentos hilariantes entre Don e Winston.
Um argumento que nos transporta com a personagem principal, numa viagem de descoberta interior, que faz crescer a personagem e o espectador, de uma forma super divertida.
A realização é uma realização muito simples, mas que para o efeito serve na perfeição, mas quem têm um legue de actores como os que neste filme aparecem, quem se preocupa com o resto? Desde o anunciado Bill Murray, conta ainda com Julie Delpy, Sharon Stone, num papel muito divertido, que nos dá uma perspectiva diferente do seu trabalho até à data, Chloe Sevigny, Jessica Lange, que nos faz parar a respiração assim que a vemos contracenar com o Bill Murray. Mas não ficamos por aqui, pois o filme conta ainda, com uma interpretação muito rígida, mas divertida de Frances Conray (Dora), uma ex-namorada com uns problemas emocionais graves, tal como a personagem de Tilda Swinton (Penny). No entanto o momento mais hilariante é sem dúvida protagonizado por Murray e a jovem Lolita (Alexis Dziena).   
No fundo ele vai encontrando as suas ex-relações e depara-se com uma evolução de todas elas, mas ele, Don, continua o solteirão solitário.
No fim, a personagem sente o mesmo, que a meu ver, nós ao ver o filme sentimos. Então mas quem me escreveu a carta? Quem sou eu? E agora? No fundo as perguntas do dia-a-dia, de qualquer pessoa que se deixa pensar.
Por isto este filme é uma obra muito interessante do realizador Jim Jarmusch que depois de "Coffe and Cigarettes" (2003) apresenta-nos um filme bem maior, em sentimentos em diversão e em riqueza de texto. Cómico, mas ao mesmo tempo com uma componente interior muito forte. Sem dúvida nenhuma, a comédia mais inteligente do ano. A personagem cresce ao longo do filme e nós com ela. Um filme a não perder.

Pedro de Pena