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O agente de talentos de maior sucesso em LA,Jack Giamoro (Ben Affleck), parece ter tudo: uma carreira de sucesso, dinheiro e uma bela mulher, Nina (Rebecca Romijn). Mas continua a sentir que lhe falta algo, e deste modo começa a ter aulas de escrita de diários de modo a explorar os seus sentimentos— aulas leccionadas pelo pomposo e temperamental Mr. Primkin (John Cleese). O diário de Jack leva-o a reavaliar a sua vida e abre as comportas de uma série de memórias tanto trágicas como cómicas — ‘flashbacks’ semelhantes a instantâneos esbatidos de um velho álbum de fotos de família. Tenho a confessar a agradável surpresa sentida ao assistir a um desempenho digno das promessas iniciais de um actor como Ben Affleck. Depois das suas parcerias com Matt Damon em filmes como "O bom rebelde" ou "Dogma", as escolhas de carreira de Ben Affleck davam conta da sua dificuldade em descolar da imagem de menino bonito. Em "Um homem na cidade" temos tudo: uma história excelente (a classificação como romance/drama/comédia no Yahoo Movies dá conta da gradação de emoções que se pode esperar), um leque de actores de primeira água, desempenhos surpreendentes (para John Cleese ser surpreendente é ser igual a si próprio) e uma realização estonteante. Relativamente à realização são de salientar as mudanças de plano vertiginosas que legitimam o tema do filme e enquadram na perfeição a relação do protagonista com a cidade: o seu humor depende da relação bem ou mal sucedida com o seu microcosmos, o seu domínio, o seu feudo. Tudo o resto parece vir em segundo plano, inclusive o seu casamento. Mas é a relação extraconjugal da sua mulher ( um forte aplauso para a esplendorosa Rebeca Romijn – a silenciosa mutante transformista dos "X-Men" – como a esposa arrependida) com o seu melhor cliente que faz desabar as estruturas do seu mundo e o leva a questionar- se. "O que tenho para aprender..." conclui Jack Giamoro com um olhar esperançoso.
Paula Pintassilgo
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